Máo-de-obra condiciona crescimento do sector
As demoras nos processos de contratação de mão-de-obra estrangeira estao a abrandor o ritmo de crescimento das grandes empresas produtoras de morango e pequenos frutos em Portugal.
A Well-Pict Portugal porduz 45 hectares de morango e deseja chegar aos cem hectares a médio prazo, mas em 2007 não deverá aumentar a area de morango em mais do que cinco hectares. A organizaço de produtores (OP) Lusomorango, que reúne cinco dos maiores produtores de pequenos frutos instalados em Portugal, com 110 hectares de morango e framboesa, quer aumentar a area para os 400 hectares, mas no próximo ano não deverá crescer mmais do 45 hectares (com a entrada de novo sócios).
“A situação está muito instável nesta zona, os planos sectoriais da Rede Natura vão trazer algumas restrições e continuamos sem ter saídas para o problema da falta de mão-de-obra. O nosso crescimento depended a resolução destes dois problemas, porque na realidade se produzíssemos o dobro do volume conseguiriamos vendê-lo e com lucro, mas temps que superar estas restrições”, afirmou Sofia Rosendo, gerente da Well-Pict Portugal. A empresa, instalada em Brejão, no litoral alentejano, precisa de 350 trabalhadores, e no início de Abril (quando esta entrevista foi realizada) apenas tinha conseguido contratar 140 pessoas.
“Não aumentámos as areas tanto como o previsto porque estamos com dificuldade ao nível da contratação de mão-de-obra. A forma como a campanha corre é incerta e torna-se difícil programar com muita antecedência a vinda de mão-de-obra estrangeira”, explicou Gonçalo Andrade, director commercial da Lusomorango, que no conjunto dos sócios necessita de 500 trabalhadores em plena capanha.
Confrontadas com a falta de disponibilidade da mão-de-obra nacional, estas empresas são obrigadas a recrutar trabalhadores estrangeiros, um processo moroso e burocratico, que está condicionar o ritmo de crescimento do sector. O problema pode, no entanto, vir a ser minorado a breve prazo, uma vez que está a ser preparada uma alteração á lesiglação de contratação de trabalhordes estrangeiros (ver caixa).
Natura 2000 cria restrições
A par das vicissitudes laborais, as empresas produtoras de morango da costa vicentina –onde esta concentrada grande parted a produção nacional de morango e outros pequenos frutos – estão preocupadas com as restrições que a Rede Natura 2000 virá impor à agricultura local. O Plano Sectorial do Mira, que integra a Rede Natura 2000 e deverá ser disponibilizado para consulta pública dentro de um més, impõe algumas limitações à produção, entre as quais “restrições à instalação de novas estufas e proibição de desinfecções de solo, que estão a preocupar-nos, pois podem condicionar o nosso crescimento”, afirmou Sofia Rosdendo.
Gonçalo Andrade, por sua vez, enumera os problemas relacionados com a aproveção de produto fitofarmacêuticos, area na qual “há grande disparidade face aos produtos autorizados em Espanha, o que dificulta a concorrência”.
Outra limitação que está a proocupar os produtores de morango é a proibição do uso do brometo de metilo, já em vigor na produção e em vias de ser interdito nos viveiristas. “A Partir do momento em que os viveiros deixem de poder utilizar o brometo de metilo, a situação torna-se proocupante. A maior parted as variedades de morango têm problemas, como a antracnose, que contamina o solo. Se a desinfecção não for feita nos viveiros, essas doenças vão ser transmitidas aod terrenos dos produtores e não há alternativa efocaz à desinfecção química, sobre-tudo numa produção intensive em que o solo està disponível para desinfecção por curtos períodos de tempo”, constatou a gerente da AMS. “Já sabemos que as produções vão ser maid baixas em resultado dessa lacuna”, reforçou Gonçalo Andrade.
Novas regras na contratação de estrangeiros A “Frutas, Legumes e Flores” apurou junto das empresas produtoras que vai entrar em vigor, a curto prazo, uma nova lei de trabalho, para admissão de cidadãos exteriores ã União Europeia, mais facilitadora da contratação. As novas regras deverão desburocratizando a processo, que hoje em dia chega a demorar seis meses, entre a assinatura do contrato promessa e a concessão do visto de trebalho. A nova legislação prevê que uma vez assinado a contrato promessa entre o imigrante e a entidade empregadora, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) autorize a vinda da pessoa, que tem de uma a duas semanas para tartar do visto de trabalho já em Portugal. As empresas que contratam os imigrantes vão ser responsabilizadas pela sua estadia em Portugal e quando não necessitarem do trabalhador, devem informar o SEF. Ao trabalhador restam duas opções: regressar ao pais de origem (um das hipótese é que a entidade empregadora lhe compre o bilhete de regresso) ou conseguir novo contrato de trabalho num prazo limite (que deverá ser de um mês). Os vistos de trabalham passam a poder ser dados por periodos mais curtos – minimo de três meses -, e não de um minimo de im ano, como a actual lei prevê. Para melhor adaptação às diferentes actividades económicas, passarão a existir vãrios tipos de vistos de trabalho. Até ao fecho desta edição não foi possivel ovter confirmação oficial desta noticia junto do SEF.
“O mercado nacional não tem sido uma aposta ganha” “A época está a correr muito bem em qualidade, apesar de algum atraso na producão, devido ao frio. Os precos estão mais baixos, mas conseguimos diversificar os clientes no mercado externo”, afirmou Sofia Rosendo. A gerente da Well-Pict Portugal lamenta que os preços praticados, este ano, pela distribução portuguesa tenham estado abaixo du custo de produção: “o mercado nacional não tem sido uma aposta ganha. Conseguimos o triplo do preço vendendo para o estrangeiro, o que justifica a opção pela exportação”.
O grupo Well-Pict está a apostar no programa de variedades do obtentor espanhol Planasa. Este ano 90 por cento da área do Monte da Azonha está a ser plantadas com a variedade Candonga-Sabrosa, elogiada por Sofia Rosendo: “actualmente é a variedade que melhore responde às necessidades de mercado dos nossos clientes, é mais resistente a pragas e doenças, não é tão exigente em fertilização como outras variedades da Universidade da Califónia, é muito fácil de colher e dá-nos uma percentagem elevada de morango Classe I (94 por cento), álem do excelente sabor e forma.
A Well-Pict Portugal continua a experimentar variedades da Universidade da Califórnia. Ensaios realizados com a Albion em 2005, com plantação em Janeiro, revelaram alguns problemas de produção vegetativa excessiva, o que implica mão-de-obra extra para “poda”. Este ano, a AMS começou os ensaios com esta variedade em meados de Abril, na expectativa de conseguir melhores proços no produto final, que compensem o maior investimento em mão-de-obra.
Em 2007, a Well-Pict Portugal deverá aumentar a área de produção coberta em sistema semihidroponico em cinco hectares, instalando estufas equipadas com controlo ambiental (águas, fertilizantes, temperatura, humidade). No próximo ano inciará tembém a produção de insectos auxiliares, para uso próprio e venda a terceiros.
Lusomorango recebe quatro novos sócios Antes do Verão instalar-se na Zambujeira do Mar dois novos investidores na área dos pequenos frutos, cada um com uma área de cerca de 15 hectares. Trata-se de um empresário alemão um norte-americano, que se associarão à Lusomorango para produzir variedades do obtentor americano Driscoll’s. Também na zona do Ribatejo Oeste, região importante para esta organização de produtores, irão surgir dois novos produtores associados, revelou Gonçalo Andrade.
Para 2006ª previsão de facturação desta OP é de 7,5 a 8 milhões de euros, resultantes da produção de 2500 toneladas de morango e 600 toneladas de framboesa. “No ano passado conseguimos estar no mercado durante todas as se manas do ano, com morangos e framboesas, e os nossos clientes ficaram muito satisfeitos”, afirmou o director comercial, orgulhoso com o cumprimento do principal objectivo da Lusomorango. A OP comercializa as marcas “Aromas” e “Aromas Premium” em Portugal, tendo parcerias comerciais com a Sonae, a Makro, a Dia e o El Corte Ingles. As mesmas marcas servem o mercado espanhol, onde a Lusomorango entrou pele primeira vez em 2005: “tivemos resultados muito interessantes em Espanha de Junho a Janeiro. Houve uma oportunidade de negócio e entramos no mercade espanhol através de intermediários para cadeias de supermercados. Este ano, apostaremos na venda directa”, revoelouo director comercial, acrescentado que se trata de um mercado com bom poder de compra e grande potencial para absorver morango português entre Julho e Dezembro (meses em que não há producão local). No resto da Europa, a Lusomorango, em parceria com a Berry Alliance, está a concentrar esforços com a marca “Berry Valey” na Noruega, Rússia, Inglaterra, Suécia, Holanda e Bélgica. A OP está a investir na produção de Outono-Inverno, com a variedade Camarillo (de que tem a exclusividade em Portugal), planeando plantar um total de 33 hectares em 2006. Nas variedades de Primavera-Verão, as preferidas são a Agoura, El Dorado (em estufa), San Juan e Lanai (em ar livre). As variedades Driscoll’s representam 88 por cento da produção da Lusomorango. Um dos sócios da Lusomorango, a BerryPort de capotal cem por cento Driscoll’s, está a investir na experimentação de variedades, dedicando a esta actividade um campo de ensaios de cinco mil metros quadrados para variedades de ar livre e estufa. Este campo de ensaios vai ser aumentado para 14 mil metros quadrados, ainda em 2006, onde serão ensaiados, além das framboesas e morangos, mirtilos e amoras.
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